A magia é real porque está intrinsecamente ligada ao modo como percebemos e interagimos com o mundo. Ela acontece no momento em que associamos fluxos infinitos, que por si só não têm forma, a conceitos já estabelecidos em nossa mente. Essa associação dá existência a algo que, até então, era apenas potencialidade.
Quando um fluxo é nomeado, ele passa a ser compreendido como algo real, ainda que sua natureza seja abstrata ou subjetiva. Isso ocorre porque o cérebro interpreta todas as informações como reais ao processá-las, conectando-as a memetizações pré-existentes. Esses memes, ou blocos conceituais, formam o arcabouço da nossa percepção, permitindo que interajamos com o mundo e moldemos nossas experiências a partir dessas conexões.
A magia, portanto, não é extraordinária. Ela opera constantemente, em cada ato de percepção e interpretação. É um processo natural de interação entre fluxos e os limites que a linguagem ou os conceitos estabelecem, mas que também possibilitam a criação de novas formas de realidade.
O extraordinário, no entanto, está no momento em que o ente se dá conta desse processo conscientemente. Muitos agem na manipulação de memes de forma inconsciente, moldando a realidade por meio das associações já estabelecidas. Porém, acessar os fluxos onde os arquétipos têm sua origem, manipulando-os antes de se cristalizarem em memes, é o domínio do mago.
O mago opera em um nível anterior ao da linguagem e dos símbolos fixos, navegando nas potencialidades que ainda não foram delimitadas. É nesse espaço de indefinição que os arquétipos começam a emergir, e manipulá-los significa interagir diretamente com a matriz de possibilidades que antecede a realidade manifesta.
Essa habilidade requer percepção e presença, pois, diferentemente da manipulação inconsciente de memes, o mago precisa reconhecer os fluxos como aquilo que está além do nome e do conceito. É nesse espaço de criação primordial que a verdadeira magia acontece, onde não se tratam apenas os efeitos, mas a própria fonte das formas.
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