Reflexão sobre Vícios e Perspectivas de Vida Doentia
Estava pensando que vícios não existem, o que existe é uma fuga de uma perspectiva de vida doentia. O problema é que a sociedade dualista está causando cada vez mais doenças nas pessoas, todos estão desconectados com o meio e buscando se superar sempre. Essa base de pensar causa a busca externa e a insatisfação crônica.
Na teoria de Jung, o Pai é um arquétipo primordial, porém, nas sociedades primitivas, a figura do pai não existia. Podemos dizer que há uma tendência do pensamento dualista nele? Pensando da mesma forma, o que podemos dizer do arquétipo mãe? Outro problema que vejo no dualismo é a posse do pai pelo filho e tudo mais. Se em sociedades primitivas o cuidado com a nova geração era compartilhado, não havia posse sobre ele como um legado particular. Era um ser livre fazendo parte do todo.
Isso se reflete na maneira de buscar no além a completude, na crença de que você é responsável pelo sacrifício para criar sua alma, já que é imperfeito e incompleto. O sacrifício foi usado para escravizar outros seres humanos. Na perspectiva de Deleuze, o sacrifício pode ser visto como uma imposição que limita o devir, aprisionando o ser em estruturas opressivas.
Para se livrar disso, seria necessário desconstruir na mentalidade basal das pessoas o dualismo. Tarefa monumental, mas essencial. Precisaríamos de uma propaganda que destruísse os arquétipos do dualismo, entendendo que essa relação não é uma apologia ao passado e ao feminino, mas uma necessidade de desconstrução de conceitos arbitrários ao homem para a liberação de complexos montados rumo a uma liberdade verdadeira do sujeito no mundo que ele integra.
Comentários
Postar um comentário