O todo contém todas as potência
sem haver antes nem depois.
O todo contém as potências e as coisas
Não podendo ser limitado.
O estado no útero é de completa saciedade.
Por que o todo precisa se difereniar?
homem está contido no tudo
realidade está contida em homem
se realidade está na instância homem a mesma só existe na instância 0 dentro da instancia homem, então fora de homem não há realidade.
Nas sociedades primevas a maneira de pensar o mundo era diferente. Durante milhares de anos comunidades viveram num mundo onde a intuição e observação das correntes de tecitura da realidade banhavam o ente na magia pura. Onde não havia a dualidade como conceito estabelecido e entranhado no tempo, essa sucessão de momentos seguido infinitamente não existia. Sem o tempo como linearidade e com tudo sendo o mesmo já que a dualidade ainda não havia sido inventada, a interação entre os entes podia ser percebida também como uma única coisa, e essa coisa que estava em tudo era a magia. Uma trama que se constrói para todos os lados, plena. Lá, onde não havia ainda um conceito dualidade, o ente podia ir e vir de dimensões hoje insondadas com a leveza da inocência, sem os ressentimentos nietzschiano pois estava longe de parâmetros decalcados.
Uma visão:
Nessa mesma semana, sofri uma queimadura de segundo grau também ao cozinhar e me pareceu que ela estava me chamando e marcando com fogo.
Depois foi proposto que fosse feito um ritual para conexão com a deidade e posso falar que ela me veio em um estado alterado de consciência e resumindo ela me chamou de sua filha e sacerdotisa de Inana, me deu 3000 mil legiões para comandar(elas desceram do céu chuvoso como que atravessando dimensões e se prostraram em minha frente). Então, passei a estudar sobre a Suméria para entender como fazer um culto correto, já que essa egregora é muito antiga e não temos tantas informações como em outros cultos. Nos estudos que já tinha feito particularmente, a esfera de Chokmah me parecia o ente feminino: como no gnosticismo que vê em Sophia a primeira emanação dos aeons. Tiamat me pareceu a representação do útero cósmico que para mim seria o único capaz de criar, sendo ele o 1 após o 0 que vai dar no 3.
Então meu estudo é uma busca nas mitologia da civilização mais antiga que conhecemos para afirmar esse principio como o o gerador e ele mesmo a modificação, diferenciação e individualização e por isso causador de antagonismos.
Uma visão:
“O mapa é aberto, é conectável em todas as suas dimensões, desmontável, reversível, suscetível de receber modificações constantemente. Ele pode ser rasgado, revertido, adaptar-se a montagens de qualquer natureza, ser preparado por um indivíduo, um grupo, uma formação social. Pode-se desenhá-lo numa parede, concebê-lo como obra de arte, construí-lo como uma ação política ou como uma meditação.” (DELEUZE e GUATTARI, 2002, p.42)
Meu interesse na Mesopotâmia aconteceu como um exercício meditativo para visualizar uma deidade para cultuar. Esse exercício foi proposto em um grupo que estava iniciando, mas minhas intuições com Tiamat começaram bem antes do exercício ser dado. A proposta era em meditação ver a deidade ou sentir a energia, e depois verificar os sinais que chamassem atenção confirmando a ligação, seja em sonhos ou no cotidiano. Na meditação em si não senti nada, mas nas semanas anteriores Tiamat foi aparecendo em conversas e vídeos, até que uma semana antes na minha rotina de casa ao cozinhar, dois ovos chocos na mesma semana me chamaram a atenção. No momento liguei a Tiamat esses ocorridos pois já sabia que se tratava de uma energia caótica.Nessa mesma semana, sofri uma queimadura de segundo grau também ao cozinhar e me pareceu que ela estava me chamando e marcando com fogo.
Depois foi proposto que fosse feito um ritual para conexão com a deidade e posso falar que ela me veio em um estado alterado de consciência e resumindo ela me chamou de sua filha e sacerdotisa de Inana, me deu 3000 mil legiões para comandar(elas desceram do céu chuvoso como que atravessando dimensões e se prostraram em minha frente). Então, passei a estudar sobre a Suméria para entender como fazer um culto correto, já que essa egregora é muito antiga e não temos tantas informações como em outros cultos. Nos estudos que já tinha feito particularmente, a esfera de Chokmah me parecia o ente feminino: como no gnosticismo que vê em Sophia a primeira emanação dos aeons. Tiamat me pareceu a representação do útero cósmico que para mim seria o único capaz de criar, sendo ele o 1 após o 0 que vai dar no 3.
Então meu estudo é uma busca nas mitologia da civilização mais antiga que conhecemos para afirmar esse principio como o o gerador e ele mesmo a modificação, diferenciação e individualização e por isso causador de antagonismos.
Tiamat é essa energia primordial e Inana, pode ser associada ao devir de Deleuze, mais parecido com o Animal Mundi. Deuses como Inana são associados a Lúcifer que é sol. Lúcifer é a estrela da manhã, como Inana .
Então, os acontecimentos, afetos, devires são desdobramentos da diferenciação do feminino. A substância é feminina, pois ela que se diferencia. Ela é a substância em constante devir.
É como se a substância na ânsia de se diferenciar se antagonize no masculino. O que me leva a força do patriarcado velando o feminino, como um demiurgo se entronando. Porém ele mesmo é a substância na sua sede antagônica. Ela dá, ela tira, ela é.
Os estudos que fiz a respeito da Suméria, Tiamat e Inana envolvem os três artigos. A parte histórica da simbologia da serpente se desenrolando na camada da psique do homem me ajudou a entender como as expressões da linguagem "serpenteiam", traduzindo as modificações da psique humana através de um movimento que tende a antagonizar-se para se auto afirmar.
Este texto não se trata de um resumo completo dos artigos mas sim uma de síntese que busca o sagrado feminino como principio.
Por cinquenta mil anos a humanidade viveu no imaginário do sagrado feminino. A mulher como a geradora de vida era o centro da vida em comunidade e as associações desse poder gerador com a natureza foi natural. Nessas comunidades os ciclos da vida eram regidos pelo profundo sentimento de pertencimento a terra, e essa era a Grande Mãe, geradora de vida e também a que a consumia quando chegava sua hora.
O símbolo a serpente está ligada ao ovo cósmico e o caos, representando o limite no mundo criado. A Grande Mãe é um arquétipo da totalidade que engendra em tempos imemoriais
a dança do caos e dos cosmos limitados pela serpente do tempo que explodem gerando assim a trajetória da serpente em caminho bipartido de dualidade, antagônico.
Quando as primeiras comunidades agrícolas surgem esse imaginário persiste enraizado, mas agora embarcando as novas tecnologias ao modo de pensar. Nesse ponto, foi se ligando além dos ciclos femininos já conectados aos ciclos lunares também os ciclos solares para obter maior proveito das plantações. E nesse ponto vejo o começo de um movimento antagônico na psique humana que vai passar de matrilinearidade para o patriarcado.
A mudança nas tecnologias determinou a mudança na mítica antes lunar para solar, contudo os arquétipos não se estinguem mas adquirem novos significados tornando-se tão complexos quanto a coletividade de que emanam. A antagonização do principio primordial é a expressão da diferenciação para gerar individuação.
O mito de Tiamat na suméria parte desse imaginário primevo onde a totalidade é representada na figura do Dragão - Serpente sendo dilacerado para gerar o cosmos. Esse primeiro panteão de deuses titânicos é representado em varias culturas, mas quanto mais voltamos no tempo a Grande Mãe se mostra presente.
A Grande Mãe foi então adaptando-se aos novos modos de viver em grandes comunidades que deram origens as civilizações da nossa antiguidade. E mesmo sendo limitada e impedida de exercer sua expressão, seu poder e seu sentimento manteve-se através dos mitos presentes na psique humana ainda que reprimida.
Na sociedade suméria já estava assentado o patriarcado na vida cotidiana e a Deusa foi trancafiada junto com seus titãs. Um panteão masculino acendeu mas ainda sim não apagou a toda a mítica da Grande Mãe, pois nesse novo panteão uma Deusa fugiu aos arquétipos impostos pelo patriarcado, mantendo-se por varias civilizações como uma potência de características ambíguas herdadas da velha serpente.
Inana foi cultuada desde o inicio da civilização suméria até a decadência do império Acádio como Ishitar. Sua trajetória acompanhou as mudanças do seu povo, mas a sua dualidade como Deusa de guerra e do amor sempre se manteve como personificação do devir do caos em direção ao cosmos e do cosmos ao caos.
Só daí poderia fazer varias analogias com mitos de criação do judaísmo, dos egípcios e dos gregos. Obviamente esses povos tinham trocas culturais desde os seus primórdios, sendo o humano um ser feito pelas trocas de conhecimentos que geram cultura. Essa influência pode ser vista também na Cabala sendo construída no tempo para explicar as emanações do divino seguindo estruturas muito parecidas com os antigo panteão sumério. Nas culturas dessa temporalidade é nítido o desenvolvimento de um modo de pensar que parte de um principio único e vai se diferenciando em emanações distintas, todas as civilizações, sumérios com Tiamat para Anu, os gregos a partir de Caos para Gaia, os gnósticos do Pleroma a Sophia, os judeus mais tarde do Ain soof para Keeter, no cristianismos do Verbo para Deus... Todas essas tradições religiosas convergem no mesma estrutura de pensamento dualista.
Inana aparece no panteão como uma Deusa menor filha do Deus Anu que não teria tanta importância, mas os movimentos serpentinos da psique humana entronaram a Deusa novamente. Inana é uma Deusa que conquista e não aceitou ser relegada a uma coadjuvante, não hesitou em manipular o Deus Enki com sua beleza e promessa de fertilidade para embriaga-lo e assim roubar os Mé que representavam as potências divinas. De posse delas reinou na nessa civilização reunindo em seu culto aspectos múltiplos e antagônicos refletindo o complexidade da mítica dança do cosmos com o caos no pensamento da humanidade as margens do Frates e do Tigre.
Inana era a Deusa da guerra e do amor, que hoje nos parece duas qualidades antagônicas, não sabemos o se a civilização suméria tinha essa mesma visão. É impossível para nós entender o mundo aos olhos deles, podemos no máximo ter um olhar que tenta distanciar nossa temporalidade para ver sem os vieses da nossa contemporaneidade. Assim, vemos ela no início mais associadas a essas duas características e com passar dos milênios foi acumulando poderes até se tornar a figura de culto central.
Filha do Deus lua Nanna e irmã do Deus sol Utu estava presente no firmamento mas não era fixa no firmamento como esses deuses. Sua associação era com o planeta Vênus e estava presente tanto na manhã e como ao anoitecer, transitando entre essas dimensões do tempo e da psique. No mito da descida de Inana ao submundo é despida de suas indumentárias reais para adentrar o mundo dos mortos onde reina sua irmã Irishikgal e ali diante da sua face sombria é morta por empalamento, mas é renascida graças a engendramentos com outras divindades, e volta triunfante do submundo para o céu. Esse mito parece ser reconstruído nas culturas próximas de sua temporalidade com representação de uma queda no abismo para ressurgimento. A importância dos astros na vida cotidiana para regulamento dos períodos de plantio e colheita é codificada na psique como sagrado, sempre no movimento serpentino de dualidade entre o lua e o sol, a noite e o dia, movimentos cíclicos que se intercalam para a diferenciação. Inana transita entre os opostos como um puro devir.
Uma característica importante de Inana por todos os milênios na antiguidade Suméria até a Acadia foi ser a rainha do amor, porém esse amor não era um amor tipo maternal como de outra divindades femininas. Inana era a Deusa do amor carnal e sensual, da lascívia e do desejo. Seus cultos eram os rituais hieros gamos, onde o Deus era representado a pelo rei e a Deusa por uma sacerdotisa e anualmente eles se casavam mantendo relações sexuais para garantir a prosperidade do reino. Inana precisava ser agradada, em trechos encontrados das tabuletas de argila ela pede para que Damuzi, representado pelo rei, are sua vulva. Mas além dos rituais dos templos, ela abençoava as tabernas onde as cerveja era consumida, sendo um dos seus atributos a cerveja. Isso mostra que a deusa não era cultuada somente nas esferas de poder da sociedade, mas transitava entre as classes, sendo um elo de conexão que agia em via dupla, retroalimentando as camadas sociais para criar coesão. Sem nossos vieses puritanos o olhar para o sexo como uma liga que alimenta a psique com a mais profunda e atávica vontade, uma vontade que faz criar no devir é a visão de Inana que personificou e antropomorfizou a grande mãe.
Ela está aí, em tudo, antagonizando a si mesma.
Refências:
Culto à Deusa Inana/Ishitar de Simone Aparecida Dupla ,
O SAGRADO FEMININO E A SERPENTE: PERFORMANCE MÍTICA NA SIMBOLOGIA DAS DANÇAS CIRCULARES SAGRADAS da MARIA CRISTINA DE FREITAS BONETTI
Feminino Primordial : Um estudo das entidades femininas na Mesopotâmia da Melissa Avenia Ruenda.
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