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Não se enquadre, rompa! Não se submeta, conquiste!

Dança no vazio minha alma querida! 
Dança a te ver recém-nascida! 
Descobre que és dançarina de mudo nenhum! 
E crias os mundos ao seu bel-prazer! 
Destrói-os também! 
Dança leve e estática onde tudo se imana! 
E o transcendente é mais um mundo teu. 
Cria de si mesma infinitos eons! 
Que é apenas isso na eternidade. 
Deixa arder o agora além dos raios de sol que na retina imperam, 
deixa junto a tudo isso arder o profundo abismo das infinitas eras 
onde podes cavalgar na fera dragão 
E cria que é sua sina 
Cria que é teu poder 
Cria na beira da água calma do rio Eufrates 
Cria na tempestade furiosa da nau que se naufraga 
Cria com tua mais discernida palavra o que não pode ser criado! 
E veja que nada é fora de si 
E tudo está no tempo e fora dele também. 
Entre o que crias e o que podes criar, esse é o agora. 
Se tua palavra não expressa o que pode Cala-te agora, pois é tua essência criação. 
Nunca mais saia da sua única morada, a pena de deixar de estar. 
Vamos cavalgando entre os Apaches para a guerra, 
sentindo alegria de escalpelar os inimigos! 
O ancião e os jovens dançando na noite das estrelas. 
As estrelas que dançam nas noites dos Apaches. 
Caetés saboreiam o Sardinha a beira mar! 
E a nau naufragada sela o destino dos tutanos expostos a serem sugados no prazer! 
A música é uma repetição que invoca símbolos atávicos! 
E a dança com os escalpos nas mãos é o prazer! 
Mas a menina apenas olha reflexo do sol nas águas mansas enquanto clama a rainha dos céus e da terra: Oh, Inana! na purificação do seu corpo tenro para o prazer! 
Mas a menina, seja ela também a Deusa e o dragão! 
Silêncio, agora é a hora do dragão! 
É, agora, e novamente, ela vai se esgueirando no abismo, a sibilar sua criação! 
Os djins são seus filhos cantados e cantam também cada qual sua oração em glória a mãe. 
Regem partes delas. 
No meio do nada eles dançam o ritmo que é! 
Na maternidade do Bairro Novo as dores começam pequenas, 
e cada dilatação sopra o dragão mais uma vez, 
a carne é rasgada e regaçada 
e um intruso é cuspido nas mãos enluvadas de assepsia e prazer! 
Canta o Rei Lagarto a filosofia que lhe foi legada! 
E cantam milhares sob vários sois sem entender o que cantam,
somente o ritmo do djin próprio para despertar a serpente. 
O djin certo está no agora, de cada agora a dar o ritmo que leva ao dragão. 
Caído do alto da janela o corpo sem órgão esmaga o devir de mais uma respiração maquinada. 
Onde há o limite de mais um gole desse ar que oxida de maneira mais potente pelo acúmulo de células prazerosas a se proliferarem 
e a transcendência da diferença e sua imanência radical? 
Onde há o limite do corpo desejante para o que agora jaz na banheira de Paris,
depois do último trago de prazer? 
E todas essas são a mesma e única história.

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