No interior de Santa Catarina ensinaram-me o que é brodo: tudo que não se contém, reunido e fervendo.
Não é forma, não é festa, não é sopa. É potência em ebulição, matéria não organizada, resto que não se reduz.
O cometa atravessa o céu. Não muda de cor; meu sistema reage.
O externo não atravessa. Só perturba o interno.
Nada do outro é compreendido. Nada é incorporado.
Cada estímulo reorganiza o que já está aqui.
O duplo não é sombra, reflexo ou representação.
É excesso que não se deixa reduzir, potência que atravessa e permanece incapturável.
O duplo nasce do intervalo entre o estímulo e o interno,
como Artaud descreve: força que explode o corpo e não se deixa domesticar.
Brodo, cometa e duplo seguem a mesma lógica:
campos de potência, intervalos entre forças, excesso que não se representa.
Não se interpreta. Não se contempla.
Se atravessa, apenas atravessa.
Comentários
Postar um comentário