No segundo dia vi lindos passarinhos marrom acinzentado atravessando de um parreiral para outro, fazendo sons tão fofos e refinados que poderiam dizer que são de alguma família de sobrenome gringo, os Bem-te-vi's Ludwing, os João-de-barro Fulfith, ambos sobrenomes que peguei na lista de reservas do dia.
Hoje finalmente vi o maldito chiqueiro móvel que exala seu rastro pela guarita, um caminhão enorme com dezenas de porcos sujos e gordos, claro que ele podia facilmente vir aqui e hospedá-los, não são muito diferentes dos clientes que passaram, só comem um pouco mais e não pilotam o próprio avião.
Criei minha própria ampulheta quando apertei a areia da vida que me foi dada, agora ela escorre lentamente a depender do meu esforço. (Mesmo todos sabendo que a chuva pode fazer e o rio acontecer, a enchente mata tanto os ratos de São Paulo como os passárinhos de nome chique.)
Agora me meti numa escuridão que nem com a camada de ozônio frouxa e o sol a duzentos por hora são capazes de iluminar. Há duas semanas eu chapava o cuco a la vonté, maconha, vinho e dor de cabeça, mas hoje, como diz o Hélio Flanders, hoje é apertar areia…
Não gosto de pegar frases dos outros, mas elas me inspiram…
Hoje é apertar areia…
–Zelinski
Comentários
Postar um comentário